Resenha do livro: "Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar".

Conheça os personagens que comandam o nosso cérebro.

RESENHA

Lead Applied Solutions

2/1/2022 3 min read

O cérebro humano possui “dois personagens”. Um mais intuitivo, emocional, que opera automática e rapidamente a determinadas situações (chamado pelo autor de Sistema 1), e outro mais lento, que aparece em situações mais complexas (o Sistema 2). Esta é a premissa do livro “Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar”, de Daniel Kahneman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2002.

O livro traz uma grande quantidade de estudos e conceitos relacionados aos “personagens principais” em que o veterano psicólogo trabalhou durante a sua carreira. Dos seus primeiros anos de profissão trabalhando no exército de Israel, passando por pesquisas em renomadas universidades pelo mundo, é notável a consistência e relevância das atividades feitas por Daniel durante as últimas décadas.

Um dos pontos altos da obra são as descrições das experiências feitas. Contadas em detalhes, elas trazem interessantes informações de como o nosso comportamento é influenciado em diversas situações por coisas que nem imaginávamos. Também vale destacar a maneira como o autor conta como foram suas parcerias de trabalho com outros cientistas. 

É uma obra longa, às vezes densa, mas que além de informar, de certa forma também nos provoca. Deixarei alguns pequenos trechos do livro, que servem como um aperitivo do que pode ser encontrado no material:

“Uma das principais funções do Sistema 2 é monitorar e controlar pensamentos e ações ‘sugeridos’ pelo Sistema 1, permitindo que parte deles sejam expressos diretamente no comportamento e suprimindo ou modificando outros. Um exemplo - não tente resolvê-lo, apenas dê ouvido à sua intuição:

Um bastão e uma bola custam 1,10 dólar.

O bastão custa um dólar a mais que a bola.

Quando custa a bola?*

Questão central: Até que ponto o Sistema 2 monitora de perto as sugestões do Sistema 1?

(Mais de 50% dos alunos em Harvard, MIT e Princeton deram a resposta intuitiva - incorreta)

Muitas pessoas são superconfiantes, inclinadas a depositar excessiva fé em suas intuições. Elas aparentemente acham o esforço cognitivo no mínimo moderadamente desagradável e evitam-no o máximo que podem.

* Resposta: 5 centavos.”

“O humor evidentemente afeta a operação do Sistema 1: quando estamos desconfortáveis e infelizes, perdemos o contato com nossa intuição. 

Um estado de bom humor afrouxa o controle do Sistema 2 sobre o desempenho: quando de bom humor, as pessoas se tornam mais intuitivas e mais criativas, mas também menos vigilantes e mais propensas a cometer erros lógicos. 

A conexão faz sentido biológico. Bom humor é um sinal de que as coisas estão indo bem de modo geral, o ambiente está seguro e não há problemas em manter a guarda baixa. Mau humor indica que as coisas não estão indo muito bem, pode haver alguma ameaça e vigilância se faz necessária.”

“Processos aleatórios produzem muitas sequências que convencem as pessoas de que o processo afinal de contas não é aleatório. As pessoas facilmente veem padrões onde eles não existem. Se você segue a sua intuição, vai cometer com frequência o erro de classificar equivocadamente um evento aleatório como sistemático. Mostramos uma inclinação grande demais em rejeitar a crença de que grande parte do que vemos no mundo é aleatório. Muitos fatos do mundo devem-se ao acaso, incluindo acidentes de amostragem.”

“Uma limitação geral da mente humana é sua capacidade imperfeita de reconstruir estados passados de conhecimento, ou crenças que depois mudaram. Uma vez tendo adotado uma nova visão de mundo (ou de qualquer parte dele), você imediatamente perde muito de sua capacidade de recordar em que costuma acreditar antes de mudar de ideia.

O viés retrospectivo apresenta efeitos perniciosos nas estimativas dos tomadores de decisão. Leva os observadores a avaliar a qualidade de uma decisão sem considerar se o processo foi sólido, mas se o desfecho foi bom ou ruim.

A percepção tardia é particularmente cruel com tomadores de decisão que desempenham o  papel de agentes para outros (médicos, consultores financeiros, diplomatas, etc.). Somos propensos a culpar os tomadores de decisão por boas decisões que funcionaram mal e a lhes dar pouco crédito por medidas bem-sucedidas que parecem óbvias apenas após o ocorrido.”

“Para maximizar a precisão de prognóstico em ambientes de baixa validade (a duração de estadia em hospitais, avaliação de riscos de crédito pelos bancos, chance de reincidência entre delinquentes juvenis, vencedores de partidas de futebol, preços futuros do vinho de Bordeaux, etc.), decisões finais devem ser deixadas para fórmulas algorítmicas ao invés de previsões de especialistas.”

“Sempre que podemos substituir o julgamento humano por uma fórmula, devemos ao menos levá-la em consideração.”

“Como podemos avaliar a validade provável de um julgamento intuitivo? Quando os julgamentos refletem perícia genuína? A resposta vem de duas condições básicas:

  • Um ambiente que seja suficientemente regular para ser previsível.

  • Uma oportunidade de aprender essas regularidades mediante a prática prolongada.


A oportunidade para que profissionais desenvolvam perícia intuitiva depende essencialmente da qualidade e velocidade do feedback, bem como de oportunidade suficiente para praticar.”

Breno Rupf Reis

Estudante de Ciência de Dados

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